40 mineiros assassinados pela repressao capitalista! Toda solidariedade aos trabalhadores em greve!
por Letícia Oliveira
A Africa é um continente brutalmente explorado e assediado pelo capitalismo mundial, que vai desde a intervenção imperialista, ate os jogos de poderes dos países dependentes e semicoloniais como o Brasil, que sustenta uma serie de negocios com a burguesia sul africana, tendo em 2010 exportado US$ 301 milhoes da regiao, construido com base a uma serie de acordos fiduciarios sobre o agronegocio, cooperacao tecnica e cientifica1. No ultimo dia 16, a repressao policial sobre a greve de mineiros da empresa Lonmin decorreu na morte de mais de 40 mineiros, um massacre brutal apenas visto durante o violento apartheid sul africano.
A NUM (Uniao Nacional dos Mineradores), sua direcao historica com mais de 350 mil filiados em todo pais, é umbilicalmente ligada ao regime, e no dia 16, quando ocorreu o massacre, falou aos trabalhadores de dentro dos carros policiais, claramente amedrontada pela oposicao que se constroi ao sindicato em meio aos trabalhadores. A AMCU (Associacao de Mineiros e Uniao da Construcao) tem sido mais aceita pelos trabalhadores, entretanto, se mantem adaptada ao regime em toda a sua linha, reivindicando a democracia burguesa e pedindo que os trabalhadores voltem ao trabalho para que as negociacoes possam se iniciar. Desde o dia 10, quando a greve se iniciou, já se contavam 10 mortos, fruto da radicalizacao da oposicao a direcao sindical, tambem em enfrentamento direto com policiais que cercavam a fabrica.
Desde o inicio da greve, os mineiros da Lonmin tem dito se movimentar independentemente de ambas as direcoes, dizendo que não se importam com as disputadas sindicais, apenas querem seu aumento salarial. Esses trabalhadores recebem R4.000, o equivalente a R$ 960, e exigem um aumento para R12.500, equivalente a R$3.000.O capitalismo em sua fase imperialista, como discutem Lenin e Trotski, se inicia com a necessidade de os monopolios que se instalavam internamente as potencias capitalistas, durante o fim do sec XIX e inicio do seculo XX, expandir suas zonas de dominacao para todo o mundo, de maneira a ampliar os mercados consumidores para escoar sua superproducao, assim como exportar seus capitais, para em países mais atrasados se utilizar de uma mao de obra barata, precaria, para baratear seus produtos em escala mundial, dominando os mercados de materia-prima pela via do monopolio da extracao.
A Lonmin tem seu escritório central localizado em Londres, e explora brutalmente os trabalhadores da Africa do Sul, nos complexos de Limpopo, ao noroeste do pais, e de Marikana, onde se iniciou a greve de mineiros, tendo iniciado sua corrida exploratoria em 1909. Como resultado, tornou-se uma das maiores produtoras de platina do mundo, com altissimas taxas de lucro, fruto da exploracao sobre um pais com um dos trabalhados de mais baixo custo no mundo, devido a miseria que imediamente se associa e naturaliza sobre os negros que vivem em Africa e em todo o mundo. Desde 2008, com o baque da queda do Lehman Brothers, a Lonmin teve uma queda brusca em suas reservas de platina, assim como nos seus lucros. Para esse ano, definiu metas de producao para garantir seus lucros, que com a explosao de uma greve de 3000 de seus mineiros, passa a ser comprometida e precisa, portanto, ser brutalmente reprimida.
No momento de crise economica que vivemos, a efetivacao de politicas repressivas cada vez mais duras se faz cada dia mais essencial para a burguesia, visto os duros ataques sobre a condicao de vida dos trabalhadores tornam-se fundamentais para que a burguesia, que só atraves de garantir os altos lucros, garante sua sobrevivencia como classe dominante.
A empresa tem tentado se desvencilhar da responsabilidade sobre as mortes, alegando contrariedade a medida repressiva ordenada pelo Estado sul africano e efetivada pela policia. Nao coloca, entretanto, que sob o capitalismo, todo Estado é palco dos negocios da burguesia, e em se tratando de um pais semicolonial como a Africa do Sul, da burguesia imperialista que domina a economia daquele pais.
Esse caso brutal de repressao, só visto antes durante o apartheid, deve ser tratado nos marcos de uma burguesia que frente a uma crise que coloca em cheque seu dominio passara cada dia mais a banhar de sangue a manutencao de seus lucros e de seu dominio sobre a classe trabalhadora, polarizando esse antagonismo de classes, questionado exaustivamente pela academia desiludida.
Lutar contra o imperialismo, contra cada ataque aos trabalhadores, se faz urgente, assim como a construcao de um programa que responda a altura frente a cada ataque imposto, de maneira internacionalista, sem ilusoes no “humanismo” vomitado pela burguesia.
A morte dos trabalhadores mineiros em Marikana é a morte de nossos irmaos de classe, e não se deve de maneira nenhuma a radicalidade de sua greve, mas a sede de lucros dos parasitas financeiros e da alta burguesia imperialista.
Toda solidariedade aos companheiros mineiros de Marikana!
Punicao imediata aos assassinos dos mais de 40 grevistas mortos!
Pelo direito de greve!
Que a crise paguem os capitalistas!
1http://www.itamaraty.gov.br/temas/temas-politicos-e-relacoes-bilaterais/africa/africa-do-sul/pdf
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