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terça-feira, 28 de agosto de 2012

A formação e a espada: atividade do Desformas USP com participação de Thyago Villela, do staff da CEPHS




DESFORMAS
 
Centro de Estudos Desmanche e Formação de Sistemas Simbólicos






19h:

Formação e espada

 

Luiz Renato Martins:
“A conspiração da arte moderna”

“(…) o Templo moderno, a Santidade moderna, é a Revolução. Então façamos o Templo da Revolução, e a pintura da Revolução. Quer dizer que o Panteão moderno conterá a história da humanidade..
Pan deve matar Deus. Pan é o povo.
Estética quimérica, quer dizer a posteriori, individual, artificial, substituta da estética involuntária, espontânea, fatal, vital, do povo”. ([Notas diversas sobre a Arte Filosófica], Baudelaire)
Os primeiros editores póstumos de Baudelaire (1821-67), Asselineau (1820-74) et Banville (1823-91), negligenciaram estas anotações, lançadas à lápis sobre um pedaço de papel. Com efeito, elas parecem escapar à caracterização corrente da obra de Baudelaire : dandismo, melancolia, satanismo, etc….
A partir da análise de fragmentos, de observações e de observações lacunares do autor, o trabalho sugerirá hipóteses concernentes ao projeto de um programa geral da arte moderna, para Baudelaire, do qual o ensaio O peintre de la vie moderne (1863), não constituirá senão uma ponta visível – paródica e irônica – do iceberg.
Uma carta à Hippolyte Garnier, datada de 6 de fevereiro de 1866 (um mês antes do colapso fatal de Baudelaire), assinala que o trabalho estava em curso. Memórias históricas de 1793, assim como lembranças pessoais, de Baudelaire, acerca das insurreições dos tecelões de Lyon, nos anos escolares de Baudelaire na década de 1820, e de junho de 1848, são objeto de uma combinação que dá lugar a uma síntese enigmática constituída de um mosaico de alusões, acerca das quais o trabalho proporá uma interpretação. As lutas populares têm seus mortos e desaparecidos; a arte, trabalhos inacabados …
Entretanto, quanto ao que concerne o paradoxo do inacabado, Baudelaire já tinha elaborado uma explicação ambiciosa e sistemática, integrada ao princípio sintético da “magia sugestiva” da arte moderna…

20h: 

 

Ovos de Serpente

 

Thyago Villela: 
“A estatização das artes na URSS (1924-1928)”

 
A importante noção de encomenda social (sotzialny zakaz), empregada pela primeira vez pelo teórico do construtivismo e literato Sergei Tretiakov (1892-1937), sintetizou o projeto desta vanguarda artística a respeito da produção de obras funcionais que reorganizassem a vida soviética revolucionária. Entendida como uma das bases do ideário construtivista,  o conceito de encomenda social referia-se às demandas da sociedade russa que deveriam ser apreendidas pelos artistas soviéticos para a produção dos objetos artísticos. Ao contrário de submetida à opinião popular ou a diretivas externas do Estado soviético, a compreensão do conteúdo desta demanda social estaria reservada ao artista, que deveria autonomamente avaliar quais seriam estas necessidades sociais em questão que programariam o conteúdo de suas obras.  A noção de encomenda social vinculava-se à idéia de reconstrução do “modo de vida” (byt) e do psiquismo do proletariado e campesinato russo.
No curso da reação stalinista, a “encomenda social” passou pelo que poderíamos caracterizar como uma estatização, ou seja, uma centralização do conteúdo e da forma à qual a produção artística estaria submetida – que se cristalizará em 1934 com o estabelecimento do realismo-socialista. A comunicação apresentará um panorama geral deste processo a partir da noção, desenvolvida por Leon Trotsky, de “Termidor soviético”, e procurará apontar a articulação entre a burocratização da Revolução de Outubro e o retrocesso promovido no campo cultural com a situação das artes do período.

30 de agosto (quinta), a partir das 19h, na Casa de Cultura Japonesa

(av. prof. Lineu Prestes, 15. Cidade Universitária – USP)




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