Luiz Renato Martins:
“A conspiração da arte moderna”
“(…) o Templo moderno, a Santidade moderna, é a Revolução. Então façamos o Templo da Revolução, e a pintura da Revolução. Quer dizer que o Panteão moderno conterá a história da humanidade..
Pan deve matar Deus. Pan é o povo.
Estética quimérica, quer dizer a posteriori, individual, artificial, substituta da estética involuntária, espontânea, fatal, vital, do povo”. ([Notas diversas sobre a Arte Filosófica], Baudelaire)
Os primeiros editores póstumos de Baudelaire (1821-67), Asselineau (1820-74) et Banville (1823-91), negligenciaram estas anotações, lançadas à lápis sobre um pedaço de papel. Com efeito, elas parecem escapar à caracterização corrente da obra de Baudelaire : dandismo, melancolia, satanismo, etc….
A partir da análise de fragmentos, de observações e de observações lacunares do autor, o trabalho sugerirá hipóteses concernentes ao projeto de um programa geral da arte moderna, para Baudelaire, do qual o ensaio O peintre de la vie moderne (1863), não constituirá senão uma ponta visível – paródica e irônica – do iceberg.
Uma carta à Hippolyte Garnier, datada de 6 de fevereiro de 1866 (um mês antes do colapso fatal de Baudelaire), assinala que o trabalho estava em curso. Memórias históricas de 1793, assim como lembranças pessoais, de Baudelaire, acerca das insurreições dos tecelões de Lyon, nos anos escolares de Baudelaire na década de 1820, e de junho de 1848, são objeto de uma combinação que dá lugar a uma síntese enigmática constituída de um mosaico de alusões, acerca das quais o trabalho proporá uma interpretação. As lutas populares têm seus mortos e desaparecidos; a arte, trabalhos inacabados …
Entretanto, quanto ao que concerne o paradoxo do inacabado, Baudelaire já tinha elaborado uma explicação ambiciosa e sistemática, integrada ao princípio sintético da “magia sugestiva” da arte moderna…
20h:
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