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sábado, 26 de janeiro de 2013

O negro sempre suspeito e o oficial racismo da Polícia Militar


por Iaci Maria

“Todo camburão tem um pouco de navio negreiro.” (O Rappa)
 
 
 
 

Para a polícia militar, o racismo está na ordem do dia. Para a polícia militar de Campinas, o racismo declarado está de fato na ordem do dia. Cerca de um mês atrás o comandante da PM de Campinas Ubiratan Beneducci soltou uma ordem de serviço para a intensificação do policiamento de alguns bairros nobres da cidade em que declarava que as abordagens deveriam ser focadas “a transeuntes e em veículos em atitude suspeita, especialmente indivíduos de cor parda e negra (grifo nosso)”. Segundo um porta-voz da PM, o que houve foi um “problema de contextualização”, ou seja, eles cometeram o “infortúnio” de deixar transparecer abertamente o seu racismo.
O Brasil é um país que foi fundado sob a escravidão e carrega na sua história o sangue de negras e negros que foram roubados de suas terras para que a burguesia colonial e a nascente burguesia brasileira pudessem ascender. Ainda hoje, são os negros, principalmente as mulheres negras, que ocupam os postos de trabalho mais precários e estão mais sujeitas à miséria. Em 2010, o número de homicídios de negros foi quase 2,5 vezes maior do que o de brancos¹. Na ofensiva militar que se deu principalmente na cidade de São Paulo nos últimos meses, sabemos também que a maioria dos jovens assassinados pela PM são jovens negros das favelas e periferias. Em um país onde não houve nenhum tipo de “apartheid”oficial e onde ainda paira o mito da democracia racial, a população jovem e negra está agora oficialmente na mira da racista polícia militar.
Mesmo sem uma ordem oficial, o papel que cumpre a polícia militar – enquanto braço armado do Estado e protetora da burguesia – é o de assassinar a juventude pobre e, em sua maioria, negra, tratando esses jovens sempre como suspeitos. Dados do fim de 2011 mostram que, com uma população quase oito vezes menor que a dos Estados Unidos, o estado de São Paulo registrou 6,3% mais mortes cometidas por policiais militares do que todo os EUA em cinco anos, levando em conta todas as forças policiais daquele país. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, fatos analisados pela Ouvidoria da Polícia revelam que 2.045 pessoas foram mortas no estado de São Paulo pela Polícia Militar em confronto - casos que foram registrados como resistência seguida de morte - entre 2005 e 2009. Este ano, a chacina operada pela Polícia Militar de São Paulo, obteve “rigorosos resultados” de quase trezentos mortos em um mês, o que ultrapassou o número de mortos na ofensiva militar israelense contra a Faixa de Gaza. Como tropas especializadas de repressão interna, a corporação policial reflete o caráter político da classe que a comanda: a burguesia brasileira, que é herdeira de Anhanguera, de bandeirantes latifundiários e dos escravistas brancos, e imprime em seu cão de guarda o mais enraizado ódio contra a classe operária negra. E é essa mesma burguesia que se constituiu enquanto classe dominante na luta contra as revoltas e rebeliões negras.
Seguindo a tradição revolucionária de Lênin e Trotsky, somos totalmente contra a instituição policial, que não passa de uma instituição à serviço da burguesia, e defendemos que a elevação da consciência política dos trabalhadores, dos negros e pobres, passa necessariamente pela sua organização independente para dirigir batalhas decisivas contra as forças armadas racistas da burguesia brasileira.
 
 

1 comentários:

Unknown disse...

Camaradas, falta publicarem a nota de rodapé!

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