por Danilo Magrão
Hoje a Espanha inteira marchou contra o criminoso e histórico plano de austeridade imposto pelo governo de Rajoy. Mais de 80 cidadades foram palco do 19J. Segundo os sindicatos e as organizações de esquerda, ao todo 800 mil pessoas foram às ruas protestar. Segundo a imprensa burguesa não há correlato na história recente de uma manifestação com essas proporções. A maior delas, em Madri, inspirada pela Marcha Negra, com 100 mil pessoas! Barcelona, Cordoba e Sevilha também não ficaram para trás, transbordando suas ruas com ódio e indignação contra o governo dos banqueiros!
Pude participar do ato em Sevilha, capital de Andalúcia, onde também há uma importante luta mineira. No trajeto, procurando a praça de concentração para o ato, perguntei a direção para um senhor que assim me respondeu: ´´segue na direcao para onde todos se encaminham, nessa cidade ninguém ficará de fora, hoje é o dia de ouvirem a nossa voz.`` Assim a vida política se manifesta hoje na Espanha, a conjuntura nao permite espectadores ou observadores neutros, os efeitos da crise econômica são navalha na carne desses trabalhadores, estao procurando os meios para golpear com mais força.
Ainda que o 19J tenha contado com amplos setores da população, o protagonismo de hoje se fez pelos trabalhadores do serviço público. Os tiros de Rajoy acertaram em cheio o funcionalismo público com o anúncio de prováveis demissões e com a suspensão do que aqui se chama de pagamento extra de ´´Navidad´´ - algo semelhante ao décimo terceiro salário brasileiro. Setores da juventude, que tiveram suas primeiras experiências do movimento dos indignados, estão pela força da história reconhecendo nos trabalhadores um aliado estratégico para sua luta. E em cada manifestação que ocorre também estáo sendo linha de frente nos enfrentamentos contra a repressiva polícia anti-distúrbios. Repressão essa que talvez tenha sido a maior até agora. O centro de Madrid se transformou literalmente em uma praça de guerra, dezenas foram detidos e outros tantos ficaram feridos. A policia se mantém instalada na frente do congresso por todo tempo, não há quem possa chegar perto da sede de implementação dos planos de austeridade.
A burocracia sindical tenta a qualquer custo frear o processo que se densevolve. Em meio a esse turbilhão, seu plano principal consiste apenas em chamar um plebiscito para consultar a população se está de acordo com as tesouradas de Rajoy. Uma resposta parlamentar em um país em chamas, em que a classe operária está se mostrando cada vez mais disposta a fazer o que for preciso para vencer. A batalha mineira é a expressão exata disso, e não por acaso estão se tornando exemplo para todos. Em meio às multidudinárias manifestações de hoje, o cinismo desses agentes da burguesia é escandaloso e criminoso. A necessidade de uma greve geral já está nos cânticos dos grandes atos, amplos setores de trabalhadores já identificam a necessidade de golpear os capitalistas onde eles mais sentem. O tempo político, enormemente acelerado pela crise econômica, há de desmascarar por completo esses burocratas que hoje estão empregando todos os seus esforços para amortecer a violenta porretada desferida pela burguesia.
Nesses últimos 30 anos passamos por um período de ofensiva burguesa em todos os âmbitos, onde a classe operária foi tratada como um fantasma que havia abandonado o terreno da história. Os baluartes do capitalismo se erguiam ante os olhos de uma geração inteira que deixou de acreditar que revoluções fossem possíveis. Pois bem, como adiantava Trotsky, na Espanha ela já se mostra como inevitável. As muralhas do capitalismo já começam a apresentar importantes fissuras, e são justamente os operários, responsáveis pela criação de todas as riquezas do mundo, que a colocarão abaixo. Não há reforma que seja possível em um sistema que finca seus alicerces na exploração humana. Não há alternativa que não seja a sua derrubada violenta para abrir caminho para a emancipação humana. Os operários espanhóis bradam: Que os capitalistas paguem pela sua crise!
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