por André Augusto
Como uma reedição perfeita das catástrofes que a Reitoria da
Unicamp prepara, a biblioteca do IEL (Instituto de Estudos da Linguagem) foi inundada por uma infiltração
nas tubulações do auditório acima, que praticamente arruinou mais de 2000
livros de um dos acervos mais importantes do Brasil (como havia acontecido com
a biblioteca do IFCH em 2009, inundada em função da política de precarização do
trabalho e abertura de licitações com empresas terceirizadas fraudulentas).
Ironia: o lacaio de segurança da Reitoria, que tira fotos e registra estudantes
e trabalhadores combativos da universidade na lista negra que a Unicamp
compartilha com o 7º DP, tirou fotos das rachaduras...e foi embora! Incapaz de
desligar o registro hídrico do prédio! Nenhuma equipe de vigilância do patrimônio, nenhum corpo de manutenção do prédio. Nada. Isso é um indício importante de um ponto programático candente para nós: de que uma suposta "guarda patrimonial da universidade" estaria sempre sob comando de uma chefia do regime universitário que pouco se preocupa com o acervo histórico ali guardado, e opera de maneira a abrir possibilidades infinitas para que esse arsenal de idéias documentadas seja posto a perder. Para salvar as vidas humanas que se debatem nas agruras da terceirização, e dos livros e documentos que se perdem em meio às entranhas de uma universidade de elite para a elite, é preciso questionar e por abaixo a estrutura de poder responsável por essas catástrofes. O debate de "segurança patrimonial" que corra por fora do combate político contra a Reitoria e o CRUESP (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) e seu projeto de universidade protegido pelo "cão de guarda" do vestibular, ficará dentro das linhas do poeta russo: "A ilusão exalatada é para nós mais preciosa que o negrume da amarga verdade". Mas a ironia de Pushkin é o alerta dos revolucionários: nossa crítica vai justamente no caminho da luta transicional de massas por recuperar o conhecimento das mãos dos abutres da educação superior e colocá-la a serviço da população negra e pobre!
Mais uma vez: essa cena (que contou com as bibliotecárias lamentando a
ruína dos livros, estudantes e trabalhadores da biblioteca correndo para todo
lado com os livros sobre o chão que enxarcava os que caíam, além da jornada
extra de trabalho de vários deles no último final de semana) é de total responsabilidade da Reitoria
amiga do Santander e de Jonas Donizette, que pune e sindica estudantes e
trabalhadores. Mostra a completa correção do programa da chapa
ContraCorrente-CACH, que denunciou em tempo hábil (como vem fazendo há 10 anos)
a super-exploração do trabalho das negras terceirizadas (que em todos os
institutos da universidade "de elite" precisam pedir demissão por não
aguentar a carga laboral e as enfermidades irremediáveis que surgem), e o
descaso com os acervos históricos do movimento operário e literário (como no AEL,
com infiltrações pelo ar condicionado e rede elétrica).
Buscaremos refundar um movimento estudantil de centenas na
Unicamp, anti-burocrático e classista, que defende com unhas e dentes os
trabalhadores terceirizados para que se incorporem ao quadro de funcionários
públicos sem mediação de concurso público, para acabar com a super-exploração
imposta pela burocracia de Fernando Costa; para golpear por essa via um dos
pilares da estrutura de poder que nega poder de decisão a estudantes e
trabalhadores enquanto saúda silenciosamente a efetuação das sindicâncias
contra os 31 estudantes da UNESP-Franca que puseram a correr os palestrantes da
monarquia e da ditadura; para que o CACH, CAEL e demais entidades estudantis se
unam aos trabalhadores e ponham toda a estrutura dos CAs em função da luta
intransigente contra o regime universitário que arruína vidas operárias, exclui
a população negra pelo vestibular e destrói o legado cultural da humanidade!


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