
"Dizei aos séculos futuros, pelo menos isto, que eu estou em chamas!". Todos aqueles que viveram momentos históricos de lutas, quebras da estabilidade econômica e social, fim da passividade e da rotina, sentiram a incandescência de viver numa época de mudanças abruptas, de crises e revoluções. Assim como Maiakovski estava em chamas em seu poema escrito em 1905 na Rússia revolucionária, também sentimos o novo clima quente incendiando a juventude: é inevitável não ferver ao ver as imagens das lutas que ocorrem no Chile, Espanha, Grécia, México e muitas outras, ver que o antigo momento em que nada se passava acabou.
O 14N é a materialização desse momento: nesse dia ocorrerá uma greve geral no sul europeu, Espanha, Portugal, Malta, Chipre, Grécia e Itália estarão parados contra os planos de austeridade que os governos capitalistas destes países superendividados tentam passar para salvar os banqueiros e empresários, colocando a população em estado de calamidade: mais de 50% da juventude espanhola está desempregada, na Grécia já houve intermináveis pacotes de ajuste com 17 greves gerais desde 2010, fim do décimo terceiro, entre demissões, corte de gastos com saúde e educação que ocorrem em todos esses países. Essa conjuntura impõe grandes enfrentamentos de importância mundial para a juventude e os trabalhadores, também para o Brasil.
Assim, o 14N poderá ser um impulso às lutas da juventude e dos trabalhadores nesses países para romper com a "pax social" que a burocracia sindical tenta manter, sufocando e desviando as lutas dos trabalhadores para que estes não consigam se auto organizarem de forma independente do governo e dos patrões, e avançarem num questionamento mais profundo do poder capitalista. A burocracia sindical vendida tratará de impor fortes limites à jornada europeia; contudo, vemos esse ano uma nova referência operária na luta de classes, com a greve geral do 29M, a greve dos mineiros, a potencialidade instalada da luta conjunta entre a juventude, estudantes e trabalhadores. No 14N estará colocada, continentalmente, a maior luta contra a austeridade até agora desde o estouro da crise em 2008, com trabalhadores e estudantes andando lado a lado.
Essa jornada de luta continental deve ser um primeiro passo em forjar a unidade internacionalista dos trabalhadores contra os planos da troika. No Brasil, queremos impulsionar uma nova frente de solidariedade internacionalista a partir dos debates das eleições de entidade, também para o CACH. O elemento de unir os setores da classe operária junto à juventude sem emprego e aos setores mais oprimidos da sociedade não só regionalmente, mas mundialmente, é fundamental para nos fortalecer frente à crise que já tem alcance global, ainda que por ora se instale desigualmente nos países. Nós, que fazemos parte da chapa "Contra Corrente", consideramos os centros acadêmicos uma conquista histórica do movimento estudantil, que nos possibilita termos entidades militantes voltadas à organização dos estudantes, ou seja, que organize a resposta unitária dos estudantes tanto às questões locais quanto às grandes questões de importância histórico-mundial. Em nossa opinião, a quebra do corporativismo se dará com entidades dotadas de um programa que encampe exemplos de luta como é o 14N. Essa é a alternativa de entidade que defendemos com a chapa "Contra Corrente".
Esse é um exemplo prévio do que podemos fazer com uma concepção de entidade que é a unica alternativa concreta para todos aqueles estudantes que querem atuar frente a tantos e novos acontecimentos históricos.
Chapa Contra Corrente


0 comentários:
Postar um comentário